Operação Uiraçu chega à 38ª fase contra crimes sexuais envolvendo crianças na internet
Operação Uiraçu – A Polícia Federal deflagrou em 27 de agosto de 2026 a 38ª fase da Operação Uiraçu, investigação de longa duração destinada ao combate a crimes de abuso sexual contra crianças e adolescentes praticados no ambiente virtual. A nova etapa ocorreu em São Gonçalo do Amarante, na Região Metropolitana de Natal, onde agentes cumpriram um mandado de busca e apreensão.
Segundo a Polícia Federal, a ordem judicial teve como objetivo reunir elementos relacionados à investigação. Durante as buscas, agentes procuraram e apreenderam dispositivos eletrônicos e outros materiais considerados relevantes para o avanço das apurações.
A PF não divulgou a identidade da pessoa investigada, o endereço exato onde a medida foi cumprida nem detalhes sobre os indícios que levaram à expedição do mandado.
Também não foi anunciada oficialmente nenhuma prisão nesta fase.
A ausência dessas informações exige cautela na descrição do caso. O cumprimento de uma busca representa uma medida investigativa e não significa, por si só, que tenha sido comprovada a prática de um crime pelo alvo da ação.
O aspecto que diferencia a Operação Uiraçu de muitas ações semelhantes, porém, é sua duração. Ao chegar à 38ª fase, a iniciativa evidencia a permanência das investigações da Polícia Federal sobre crimes sexuais contra crianças e adolescentes praticados ou facilitados por meios digitais no Rio Grande do Norte.
Operação Uiraçu teve duas fases em apenas 16 dias
A 38ª fase foi realizada pouco mais de duas semanas depois da etapa anterior.
Em 11 de agosto, a Polícia Federal havia deflagrado a 37ª fase da Operação Uiraçu em Natal. Na ocasião, também foi cumprido um mandado de busca e apreensão, desta vez em investigação relacionada ao compartilhamento de material de abuso sexual infantojuvenil na internet.
Os equipamentos eletrônicos apreendidos naquela etapa foram encaminhados para perícia com três objetivos principais: aprofundar a investigação, identificar eventuais vítimas e verificar a participação de outras pessoas nos crimes apurados.
A nova ação em São Gonçalo do Amarante ocorreu apenas 16 dias depois.
Essa frequência mostra que as diferentes fases não representam necessariamente uma única diligência prolongada contra o mesmo investigado. Os comunicados públicos indicam uma série de ações realizadas em diferentes municípios, contra alvos distintos, dentro de uma estratégia investigativa contínua.
Julho teve três fases da Operação Uiraçu
A velocidade das ações já havia chamado atenção no mês anterior.
Em 14 de julho, a Polícia Federal realizou a 34ª fase da Operação Uiraçu em São João do Sabugi. O investigado era suspeito de compartilhar material contendo cenas de abuso sexual de crianças e adolescentes pela internet.
Dois dias depois, em 16 de julho, veio a 35ª fase, desta vez em Caicó. Novamente, o foco estava no possível compartilhamento de material de abuso sexual infantojuvenil no ambiente digital.
Em 29 de julho, a 36ª fase foi realizada em Natal. A PF cumpriu mais um mandado de busca e apreensão contra um investigado suspeito de compartilhar esse tipo de material pela internet.
A sucessão das operações ajuda a dimensionar o caráter permanente da investigação.
Em vez de uma única ofensiva concentrada, a Uiraçu passou a funcionar por etapas sucessivas, com diligências direcionadas a endereços e investigados identificados ao longo do trabalho policial.
Operação já estava na 11ª fase em 2025
A longevidade também pode ser observada nos registros anteriores da Polícia Federal.
Em 26 de junho de 2025, a corporação anunciou a 11ª fase da Operação Uiraçu. Naquela ocasião, 14 policiais federais cumpriram três mandados de busca e apreensão em Natal e Parnamirim.
Computadores e celulares foram recolhidos para perícia, e a PF informou que as investigações continuariam para identificar materiais ilícitos e tomar as medidas cabíveis.
Pouco mais de um ano depois, a operação alcançou a 38ª fase.
A quantidade de etapas mostra como investigações sobre crimes digitais envolvendo crianças podem se prolongar e gerar novos alvos a partir da análise de equipamentos, contas, registros de plataformas e conexões entre usuários.
Dispositivos eletrônicos são centrais nas investigações
Celulares, computadores, unidades de armazenamento e outros equipamentos ocupam posição central em investigações desse tipo.
Uma perícia pode identificar arquivos armazenados, registros de compartilhamento, conversas, contas utilizadas em diferentes plataformas e informações sobre outros usuários com os quais determinado investigado manteve contato.
Isso permite que uma busca realizada em uma fase produza informações utilizadas posteriormente em outras diligências.
Também pode ajudar a identificar vítimas ainda desconhecidas pelas autoridades.
A Polícia Federal afirmou expressamente, na 37ª fase, que a perícia dos equipamentos buscaria verificar a possível participação de outras pessoas.
Esse tipo de dinâmica ajuda a explicar por que operações contra crimes virtuais podem chegar a dezenas de fases.
A investigação não termina necessariamente quando um computador é apreendido. Em muitos casos, é justamente a partir da análise daquele equipamento que uma nova etapa começa.
Legislação brasileira endureceu regras sobre violência sexual infantil online
O combate a essas práticas também ocorre em um contexto de atualização da legislação brasileira.
O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece crimes relacionados à produção, distribuição, transmissão, armazenamento e outras formas de utilização de registros envolvendo violência sexual contra crianças e adolescentes.
Com alterações feitas em 2026, o artigo 241-A passou a prever pena de quatro a dez anos de reclusão, além de multa, para quem oferece, troca, disponibiliza, transmite, distribui, publica ou divulga registros contendo violência sexual contra criança ou adolescente.
O artigo 241-B prevê pena de três a seis anos e multa para condutas como adquirir, possuir, armazenar ou solicitar esse tipo de registro.
A legislação também passou a tratar de maneira mais específica situações envolvendo ambientes digitais, redes sociais, aplicativos de mensagens, perfis falsos e recursos tecnológicos utilizados para abordar vítimas.
A aplicação concreta dessas normas depende dos fatos encontrados em cada investigação.
No caso da 38ª fase da Operação Uiraçu, a Polícia Federal ainda não informou publicamente quais tipos penais específicos são atribuídos ao investigado.
PF prefere expressão “material de abuso sexual”
A terminologia utilizada pelas autoridades também mudou.
Embora expressões antigas ainda tenham sido utilizadas durante anos na legislação e na cobertura jornalística, a Polícia Federal vem adotando prioritariamente os termos “abuso sexual de crianças e adolescentes”, “violência sexual contra crianças e adolescentes” e “material de abuso sexual infantojuvenil”.
A corporação explica que essa nomenclatura descreve de maneira mais precisa a natureza dos fatos porque os arquivos podem representar registros de violência praticada contra vítimas reais.
A mudança também evita tratar esses registros como uma categoria convencional de conteúdo adulto.
No ambiente digital, a circulação de uma imagem ou vídeo pode prolongar a exposição da vítima durante anos, mesmo depois da interrupção do abuso original.
Por esse motivo, investigações procuram identificar não apenas quem produziu determinados arquivos, mas também quem os armazenou, transmitiu ou distribuiu.
38 fases mostram dimensão do trabalho investigativo no RN
A etapa realizada em São Gonçalo do Amarante pode parecer pequena quando observada isoladamente. Houve um mandado de busca e apreensão e recolhimento de equipamentos.
O contexto das 38 fases, entretanto, altera a dimensão da notícia.
A Operação Uiraçu representa uma sequência de investigações que já passou por diferentes municípios do Rio Grande do Norte e acumulou sucessivas diligências contra suspeitas relacionadas ao ambiente virtual.
Somente entre 14 de julho e 27 de agosto de 2026 foram realizadas cinco fases conhecidas publicamente, da 34ª à 38ª, com operações em São João do Sabugi, Caicó, Natal e São Gonçalo do Amarante.
Isso transforma a longevidade da Uiraçu em um dos principais elementos da reportagem.
A quantidade de fases mostra como o combate a crimes sexuais contra crianças na internet depende de investigação contínua, perícia digital e acompanhamento das conexões identificadas a partir de cada nova apreensão.
Na 38ª fase, a Polícia Federal ainda não informou se o material recolhido confirmou as suspeitas iniciais ou se novas medidas judiciais serão solicitadas.
Essa resposta dependerá agora da análise dos equipamentos e dos demais elementos obtidos em São Gonçalo do Amarante.
O que já está estabelecido é que a Operação Uiraçu, longe de representar uma ação isolada, permanece ativa depois de dezenas de fases e continua produzindo novas diligências no Rio Grande do Norte.



